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sábado, 12 de setembro de 2009

Fone de ouvido

Lá vai ele outra vez de calça marroquina e com fones no ouvido, dando trilha ao mundo que não tem música. Escutando quem sabe, com grandes esperanças, quando sino da divisão começou a soar. Mas mudo é o que ele não é. Com respeito ele tira o fone a cada vez que fala com alguém.

Não é vanguarda de nada e tem asco de quem se auto-proclama como uma. Ele me diz que aqueles porcos (ou seriam homens? Não sei dizer atrás do vidro embaçado) um dia sairão daquela casa confortável e voltarão a ser apenas porcos no chiqueiro.

Lá vai ele outra vez de calça marroquina e com fones no ouvido, dando trilha ao mundo que não tem música. No centro do mundo vendo a história rolar, vendo “o cara” construir uma nova religião. Foram duas semanas que ele aparecia estático, de camisa roxa do Enecom, num blog do globo online.

E vem brincando com os fones de ouvido, as calças largas voando, dizendo “pára de chorar” para quem reclama demais da vida. Veja bem, ele não é a Pollyana, mas parece que está sempre fazendo o jogo do contente, porque sempre vê o lado bom das coisas.

Às vezes eu me pergunto quando fiquei tão próximo assim para me ver quase sempre ao seu lado. Acho que a resposta deve estar no lado escuro da lua, num lugar onde só consigo chegar voando ou imaginando.

Talvez esteja também escutando os clássicos que a mãe dele tocava nas aulas de piano. O adágio em sol menor não soa muito mais bonito quando escutado de olhos fechados, na ponte Rio-Niterói, dentro do 100?

Ele me diz que dinheiro é um crime. Sempre que tem mais liberdade com dinheiro, precisa-se de mais dinheiro para conseguir liberdade. Diz também que é difícil dividir o pedaço de torta quando uma torta apenas não é suficiente.

E ele sabe que fica mais difícil, mais difícil e cada vez mais difícil quando envelhece. Por que simplesmente não podemos soprar os anos para longe? Eu digo que somos apenas mais um tijolo no muro e trabalhamos para o controle de pensamento. E dessa vez ele me responde como um irmão mais velho: - Ei você! Não me diga que não há esperanças. Juntos nós resistimos, separados nos caímos.
Lá vai ele outra vez de calça marroquina e com fones no ouvido, dando trilha ao mundo que não tem música.


Afta Bucal

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Maldita afta

Que coisa mais incômoda e irritante do que as aftas? Quando menos você espera, lá está aquele buraco dentro da sua boca, cinza ou amarelo, com o qual vai ter que conviver por alguns dias. Antes fosse só esse buraco asqueroso, mas não, as aftas precisam fazer-se notadas dentro da boca e propositalmente doem a valer.

As aftas são carentes demais ou então muito familiares. Não se pode dar espaço, pois se ocorrer um movimento errado de língua, pronto: a mãe, a irmã, a tia e as priminhas vêm trabalhar no seu escritório.

Se não bastasse todo o ego e a carência, quando surge uma afta, você fica submetido aos caprichos da lesão. Elas criam a burocracia involuntária de levar toda comida para o outro canto da boca, sem deixar nenhum grãozinho de arroz ou feijão passar, porque quando passa... é melhor você nem pensar nisso.

E a dificuldade de falar para outras pessoas que você só está com afta? Afta já é uma palavra nojenta, desprezível. No dia seguinte seus colegas de trabalho lhe acusam: “Eu avisei! Não devia ter enchido a cara com aquela batida de maracujá ontem na festa de casamento da ACNE!”, e revidando você responde “mas foram só dois ou três copinhos”. No fundo você se culpa e pensa que eles estão certos.

Se existem soluções para se curar das aftas? Claro, entretanto a maioria é difícil e dolorosa. Quem daí se arriscaria em colocar um pouco de bicarbonato de sódio e sofrer uma dor lancinante? Ou pior, ir num consultório de dentista esperando que eles ponham mais ácidos dentro da sua boca. Eu não!
Eu não desejaria aftas para mais ninguém, no entanto elas têm certa razão na acidez. Ou vai dizer que você gosta de ser desprezado. E você leitor, não minta, vai dizer que nunca fez uma coisa que se arrependeu depois? Ainda bem que a afta só dura poucos dias. Imagina só se fossem 4 anos!


Afta Bucal